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Era uma vez um carro...


   Até onde vai o amor entre o homem e um carro? Me fiz várias vezes essa pergunta. Talvez porque no fundo de meu ser, esse tipo de sentimento existia e eu não sabia. Pois então, hoje vou relatar a descoberta desse amor que desde sempre habitava em mim, mas que como tudo que é essencial, só foi aflorar após a perda da outra parte.
   A história começa em 1980 – lembrando que nessa época eu nem era espermatozóide – quando meu amado pai decide comprar um carro. Tratava-se de um Chevette, ano 77 de cor amarela. Até aí tudo bem, tudo normal, pois adquirir um automóvel é o sonho de qualquer humano, mais ainda de qualquer HOMEM. Por ser ano 77 e estando nos anos 80, o carro era novo, mas mal sabia meu pai, que aquele Chevette, perduraria por muitos anos em sua vida. Vou fazer como às novelas – “11 anos depois...” - e chegar ao ano de meu nascimento, que afinal é onde entro nessa história. Outubro de 1991 chego a esse mundinho, fruto do segundo relacionamento “oficial” de painho, sendo sua SÉTIMA filha. Você deve estar rindo né? Realmente, meu pai “trabalhou” muito em 11 anos! Mas voltando ao foco, advinha quem estava presente no estacionamento da maternidade? Isso mesmo, o agora apelidado CANARINHO! Já eram 11 anos de convivência entre meu pai e o Chevette, ou seja, ele fazia parte da família. Os anos foram passando, eu fui crescendo, e o Chevette me acompanhava, não tão novo como os outros da cidade, mas extremamente guerreiro. Lembro-me de grandes momentos com aquele carro, como no dia que brincando com amigos na rua, caí e cortei o pulso, e foi por conta do Canarinho que cheguei de imediato no hospital. Ou ainda dos diversos anos escolares, onde eu esperava ansiosa pela chegada daquele carro, bastava ele aparecer ao longe que eu já estava pronta pra embarcar e seguir o caminho de casa. Quem me conhece a muito tempo sabe que até meu último ano escolar em Guarabira, o 4⁰ ano magistério, eu esperava todos os dias junto com meu sobrinho, painho ir me pegar no “Amarelinho” – mais um apelido carinhoso – pra nos levar pra casa. Em Guarabira, quem não conhecesse painho de nome, era só dizer: “É aquele do Chevette amarelo!”  Pronto,  sabia-se quem era, pois, orgulhosamente ele era uma relíquia. Se eu fosse contar todas as lembranças que tenho desse automóvel, o blog inteiro era pequeno. Pois é, eu o considerava um irmão, afinal, ele estava à 31 anos nas mãos de meu pai, 19 ao meu lado.Confesso, que por muitas vezes afirmei que painho não ia nunca se desfazer do Amarelinho, eu realmente acreditava nisto, e até em hipótese de num futuro bem distante painho chegasse a falecer, eu iria fazer o possível e o impossível para que o carro não saísse da família. Seria minha eterna lembrança.
   Mas, nem tudo é como queremos, e vamos ao triste fim desta história de amor. O carro que me proporcionou incríveis lembranças, que participou de grandes e quase todos os momentos de minha vida, me deixa hoje com lágrimas... Lágrimas de saudade, pois meu querido pai tomou a decisão de TROCAR o Chevette Canarinho Amarelinho, e eu nem pude me despedir. Caros leitores, vocês podem estar agora pensando que sou louca por estar declarando amor a um bem material. Pois bem, eu sou louca e pode crer, eu já condenei pessoas por dizerem algo parecido a mim e agora cá estou eu no mesmo patamar.
    Pra finalizar, deixo uma promessa que faço a mim mesma, tendo vocês leitores como testemunhas, meu primeiro bem a ser adquirido com o dinheiro de meu suor no dia em que conseguir um emprego, será o CHEVETTE CANARINHO AMARELINHO ANO 77, para que meu amor possa ser infinito e eterno!

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